Avaliaram já esses custos?
Estamos neste momento a fazer um estudo do impacto sobre os custos, quer de implementação destas estruturas, como do muito tempo gasto, desperdiçado, no que podia ter sido feito de outra maneira. Com alguma complexidade, no que diz respeito à questão do entreposto fiscal.
Receia a FIPA que em Outubro, na discussão do OE de 2018, haja um alastramento desta taxa para outro tipo de produto?
Não vamos sequer pensar nisso. Cremos que o imposto não vai solucionar nenhum dos problemas que está subjacente em nenhuma das matérias – sejam elas relativas a obesidade, hipertensão, diabetes, etc – porque esse não é efectivamente o caminho. O consumidor tem à sua disposição produtos adaptados às suas necessidades, e nós continuamos a trabalhar no sentido da reformulação e sobretudo das quantidades.
Neste debate, uma das questões que teve impacto foi o anúncio da Coca-Cola que ligava directamente o aumento do imposto ao desinvestimento em Portugal. É legítimo um operador com a dimensão da Coca-Cola de alguma forma fazer uma certa chantagem?
Não temos nenhum mandato para falar em nome particular de cada uma das empresas. Sentimos que este tipo de medidas criadas abruptamente condiciona de alguma forma aquilo que as empresas têm perspectivado como investimentos. No entanto, achamos que é possível, em algumas circunstâncias, retomar este diálogo.
"A poucos minutos" do rastreio alimentar
Sobre a investigação que está a ser realizada no Brasil, designada por “Carne Fraca”, houve fraude com a conivência de alguns inspectores sanitários. Portugal está preparado para situações com esta gravidade?
Estamos absolutamente preparados. Temos uma legislação europeia bem apertada e implementada, as autoridades que superintendem esta matéria, nomeadamente a ASAE, estão apetrechadas e têm todo o conhecimento e toda a capacitação para actuarem em qualquer uma destas circunstâncias, que ao longo dos anos, com raríssimas excepções, vindas do exterior, possam ter acontecido. A questão de segurança alimentar é de todos os dias, e do nosso ponto de vista está consolidada. Temos uma indústria em Portugal a produzir de uma forma segura, de acordo com as legislações, uma autoridade que tem uma capacidade e fiscaliza de uma forma extremamente interventiva. Hoje estamos ao nível dos poucos minutos para detectar o estado de um produto, onde estão localizadas determinadas produções e as que entraram [no país] - quer matérias-primas quer de outro tipo de produtos.
A minha questão é da importação de países terceiros – estamos a ser igualmente cautelosos?
Estamos a ser igualmente cautelosos. Quer as matérias-primas, quer os produtos acabados que entram, são sujeitos à mesma legislação e ao mesmo crivo apertado. Somos um país muitíssimo rigoroso em termos de fiscalização nessas matérias.